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Cases do mercado

AMAZ: energético com ingredientes amazônicos e o valor da rastreabilidade

Case AMAZ: a marca de bebidas funcionais que nasceu nos EUA, chegou ao Brasil em joint-venture com a WeBev e usa rastreabilidade como posicionamento.

Por Equipe SMW · Publicado em · Atualizado em · 5 min de leitura

Mãos seguram dois cestos de palha, um com frutos de açaí e outro com folhas verdes, com floresta ao fundo
Imagem ilustrativa gerada por IA para o Blog SMW

Resposta rápida

Segundo reportagem da PEGN, a AMAZ usa a rastreabilidade de ingredientes amazônicos como posicionamento e entrou no Brasil em 2025 em joint-venture com a WeBev. A lição para marcas próprias está nas decisões (origem documentada, adaptação à regulação, parceiro com estrutura), não nos números da empresa.

Rastreabilidade costuma aparecer no fim da lista de prioridades de quem cria uma marca — depois do nome, do sabor e do rótulo. O caso da AMAZ, marca de bebidas funcionais com ingredientes da Amazônia, mostra o caminho inverso: a origem do ingrediente virou o centro do posicionamento.

Este case foi montado a partir da reportagem da revista PEGN, de junho de 2025. As informações são da reportagem e das empresas citadas; a SMW não tem relação com a marca. O objetivo aqui é analisar decisões de negócio, não sugerir resultados.

Uma marca brasileira que começou nos Estados Unidos

Segundo a PEGN, a ideia da AMAZ surgiu em uma conversa em Maresias, no litoral de São Paulo, mas o negócio começou nos Estados Unidos, em 2017. A marca se estabeleceu no varejo norte-americano com bebidas orgânicas e funcionais feitas com ingredientes amazônicos.

O cofundador Demian Moraru explicou à revista que o mercado norte-americano era, na época, mais maduro para esse tipo de produto. A vontade de trazer a marca ao Brasil existia desde o fim de 2019, mas a pandemia adiou os planos.

A entrada no Brasil em joint-venture com a WeBev

A AMAZ chegou ao Brasil em 2025 por meio de uma joint-venture com a WeBev, grupo das marcas Puro Verde e High Kombucha. De acordo com a reportagem, os sócios investiram R$ 3 milhões, direcionados a preparar a fábrica para a nova linha, a esforços comerciais e ao marketing de lançamento.

Raphael Hennies, CEO da WeBev, contou que lançar uma bebida funcional na categoria de energéticos exigia estrutura mais robusta, e que nos anos anteriores o grupo ampliou a capacidade fabril em São Paulo e montou distribuição própria.

O que observar: em vez de construir fábrica e distribuição do zero, a marca entrou no país apoiada em um parceiro que já tinha produção, canais e experiência na categoria de bebidas.

Fórmula adaptada à regulação e ao paladar local

Um detalhe da reportagem é especialmente relevante para quem pensa em marca própria: os produtos vendidos no Brasil são diferentes dos vendidos nos EUA. Segundo a PEGN, a legislação brasileira restringe o uso de ingredientes fitoterápicos nesse tipo de produto, e as fórmulas também foram adaptadas ao paladar local.

Os sabores lançados no país foram erva-mate com limão, frutas tropicais e açaí com guaraná, com preço sugerido entre R$ 9,90 e R$ 12,90.

A lição: uma fórmula que funciona comercialmente em outro país não pode simplesmente ser copiada. Ingredientes, limites e alegações seguem a regulação brasileira — no caso de suplementos alimentares, as normas da Anvisa, como explicamos no guia sobre notificação na Anvisa de suplementos.

Rastreabilidade como argumento

O ponto central do case é a cadeia de fornecimento. Segundo a reportagem:

  • A AMAZ é parceira do Instituto Nova Era para acessar ingredientes de pequenas comunidades da Amazônia com rastreabilidade;
  • A marca apoia a Rede de Sementes do Xingu, que recebe 2% do faturamento bruto da empresa e envolve o trabalho de mais de 500 famílias;
  • A erva-mate vem do Norte do Paraná, de cultivo com agricultura regenerativa;
  • A empresa buscava a certificação Regenerative Organic Certified.

O que chama atenção é a franqueza do cofundador na entrevista: “A Amaz hoje não é perfeita, está em construção”, disse Moraru, ao contar que a empresa estava rastreando outros fornecedores e que tornar as métricas mais claras era um objetivo para 2025.

Por que isso importa: rastreabilidade só funciona como argumento quando é verificável. Admitir o que ainda está em construção é mais crível do que prometer uma cadeia perfeita.

Canais de nicho antes do grande varejo

A estratégia de distribuição descrita pela PEGN começou por supermercados premium (St. Marche, Oba Hortifruti, Mambo, Angeloni e Hippo), com entrada em farmácias, site próprio e Mercado Livre. O foco inicial era São Paulo e Santa Catarina.

Na comunicação, a proposta era construir comunidade de consumidores: falar com atletas, trabalhar com influenciadores e fazer ativações em eventos de música, arte e cultura.

O que um profissional da saúde pode aprender com o case

A AMAZ é uma bebida funcional, não um suplemento de profissional da saúde, e opera em outra escala. Mesmo assim, algumas decisões se aplicam a quem pensa em criar uma marca própria:

1. Origem é posicionamento — se for comprovável

Ingredientes com procedência clara, laudos por lote e fornecedores qualificados podem fazer parte da história da marca. Mas a história precisa ter documento por trás.

2. Parceiro com estrutura reduz a curva

A marca entrou no Brasil apoiada em quem já tinha fábrica e distribuição. Em uma marca própria de suplementos, a lógica é parecida: produção, regularização e controle de qualidade com um parceiro estruturado deixam o profissional livre para cuidar do que é dele.

3. Regulação local vem antes do marketing

A fórmula precisou mudar para o mercado brasileiro. Validar ingredientes e alegações com as regras locais deve acontecer antes de qualquer arte de rótulo.

4. Transparência sobre o que falta

Dizer o que ainda está em construção gera mais confiança do que superlativos. Para profissionais da saúde, isso conversa diretamente com as regras dos conselhos, que vedam promessas e garantias de resultado.

5. Comunidade, com ética

A AMAZ aposta em comunidade e influenciadores. No caso de médicos e nutricionistas, a divulgação de produtos segue regras específicas do conselho — veja como planejar isso no nosso guia de campanha de vendas para produtos de saúde.

Conclusão

O case AMAZ mostra uma marca que transformou a rastreabilidade dos ingredientes em posicionamento, adaptou a fórmula à regulação brasileira e entrou no país apoiada em um parceiro com estrutura. Os números da reportagem são da empresa e se referem ao contexto dela; o que vale levar são as decisões.

Quer pensar a origem e a qualidade dos ingredientes da sua marca própria desde o início? Agende uma conversa com a equipe SMW.

Guias relacionados: marca própria de suplementos · suplemento white label · como criar uma marca de suplementos · glossário

Perguntas frequentes

O que é rastreabilidade de ingredientes?

É a capacidade de identificar a origem de cada matéria-prima e acompanhar seu caminho até o produto final, com registros e documentos por lote.

Rastreabilidade é exigida para suplementos no Brasil?

Controle de qualidade e documentação de lotes fazem parte das exigências sanitárias aplicáveis. A Anvisa, por exemplo, cita a rastreabilidade entre os elementos considerados na fiscalização. Ir além do mínimo, com fornecedores qualificados e laudos por lote, é uma decisão de marca.

Posso usar a origem do ingrediente na comunicação?

Pode, desde que a informação seja verdadeira, documentada e não sugira benefícios à saúde que não estejam permitidos para o produto.

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